CLP21 de junho de 2026·6 min de leitura

Como diagnosticar falha intermitente na automação

A falha que não se reproduz é a mais cara da planta. Existe método — e ele começa registrando, não trocando peça.

A máquina para. Ninguém entende. O técnico chega, testa tudo, está tudo bom. Religa e funciona. Três dias depois, para de novo.

É o tipo de problema que já consumiu mais peça trocada "por desencargo" do que qualquer outro — e que quase nunca é resolvido por troca de peça.

Regra zero: pare de trocar componente

Trocar peça sem evidência tem três efeitos ruins: gasta dinheiro, introduz variável nova e, quando a falha some por acaso, cria uma explicação falsa que atrapalha o diagnóstico da próxima vez.

Passo 1 — Registrar antes de agir

Sem registro não há padrão, e sem padrão não há diagnóstico. Monte uma folha simples e exija preenchimento a cada ocorrência:

  • Data, hora e turno
  • O que a máquina estava fazendo (partindo, em regime, trocando produto, parando)
  • Condição ambiental (dia quente, chuva, lavagem em curso)
  • O que mais estava operando na planta naquele momento
  • Mensagem exata na tela
  • O que foi feito para voltar a produzir

Cinco ou seis registros costumam revelar o padrão sozinhos.

Passo 2 — Procurar a correlação

As correlações que mais aparecem:

  • Sempre no mesmo horário → outra carga ligando na mesma alimentação, troca de turno, lavagem, ciclo de degelo
  • Sempre depois de horas rodando → aquecimento (painel, inversor, mancal)
  • Sempre na partida → queda de tensão, rampa curta, mecânica travando a frio
  • Em dia de chuva ou lavagem → umidade em conector, isolação comprometida, aterramento
  • Quando outra máquina liga → interferência eletromagnética, afundamento de tensão, terra compartilhado
  • Depois de troca de produto → parâmetro de receita, sensor no limite de detecção para material diferente

Passo 3 — Usar o CLP como registrador

Esta é a ferramenta mais subutilizada. Adicione ao programa uma lógica de captura: quando a falha ocorrer, congele em memória o estado das entradas críticas, o valor das analógicas, o passo da sequência e o horário. Um buffer circular com as últimas ocorrências entrega, em uma semana, o que meses de tentativa não entregaram.

Se o supervisório tem histórico, configure a gravação das variáveis suspeitas em alta frequência.

Passo 4 — Investigar as causas físicas

Com o padrão em mãos, procure onde ele aponta:

  • Conexão frouxa. A campeã absoluta. Dilatação térmica afrouxa terminal; o contato oxida e a resistência sobe. Reaperto com torquímetro e termografia sob carga encontram.
  • Aterramento e blindagem. Malha aterrada nas duas pontas, blindagem interrompida em emenda, terra de sinal misturado com terra de potência.
  • Cabo danificado em ponto de movimento. Esteira porta-cabo, articulação, passagem por aresta viva. O rompimento é intermitente antes de ser definitivo.
  • Sensor no limite do alcance. Vibração e desgaste deslocam o alvo. Detecta a maior parte das vezes e falha de vez em quando.
  • Fonte de alimentação no limite. Cai sob pico de consumo e volta.
  • Interferência. Cabo de sinal correndo junto com cabo de potência de inversor.

Passo 5 — Confirmar antes de fechar

Corrigida a causa provável, não declare resolvido no mesmo dia. Mantenha o registro rodando pelo tempo equivalente a três vezes o intervalo médio entre falhas. Se a falha aparecia a cada cinco dias, quinze dias sem ocorrência é evidência. Dois dias não são.

A Platix diagnostica falha intermitente em Piracicaba, Americana, Limeira e região — com método, registro e relatório do que foi encontrado, não com troca de peça no escuro.

CC

Carlos Alexandre Cotta Coelho

Engenheiro de automação industrial · CREA ativo · 15 anos de campo

Atende pessoalmente em Piracicaba, Americana, Limeira, Rio Claro e região. Diagnóstico de causa raiz, adequação NR-12 e manutenção preventiva com relatório técnico assinado.

Está com esse problema na sua planta?

Descreva a máquina para o Carlos. Ele responde direto, sem central de atendimento.

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