Inversores18 de julho de 2026·6 min de leitura

Os códigos de falha mais comuns em inversores — e o que fazer

Sobrecorrente, sobretensão, subtensão e sobretemperatura respondem pela maioria das paradas. Cada um aponta para uma causa diferente.

Resetar o inversor e mandar produzir resolve o turno. Não resolve a causa — e a falha volta, normalmente pior e no pior momento.

Sobrecorrente na saída (OC / E00)

O inversor detectou corrente acima do limite instantâneo. As causas, em ordem de frequência:

  • Rampa de aceleração curta demais para a inércia da carga. É a causa mais comum e a mais fácil de corrigir.
  • Curto ou baixa isolação entre fases do cabo ou no enrolamento do motor. Teste com megôhmetro, sempre com o inversor desconectado.
  • Carga travada mecanicamente. Mancal agarrado, produto acumulado, correia obstruída.
  • Boost de torque exagerado em controle escalar, saturando o motor na partida.

Antes de mexer no parâmetro, gire o eixo com a mão. Metade dos casos de sobrecorrente é mecânica.

Sobretensão no barramento CC (OV / E01)

Tensão do barramento acima do limite. Quase sempre é desaceleração rápida: o motor vira gerador, devolve energia e o barramento sobe.

  • Alongue a rampa de desaceleração
  • Se o processo exige parada rápida, instale resistor de frenagem dimensionado
  • Verifique se a tensão da rede não está alta demais (transformador com tap errado é causa frequente em planta antiga)

Subtensão (UV / E02)

Barramento abaixo do mínimo. Causas: queda de tensão na rede, contator de entrada com contato ruim, fusível de uma fase aberto, ou seção de cabo insuficiente para a partida de outra carga na mesma alimentação.

Se acontece sempre no mesmo horário, procure o que mais liga naquele horário.

Sobretemperatura (OH / E04)

O dissipador passou do limite. Na prática:

  • Filtro do painel entupido
  • Ventilador do inversor parado ou com pá quebrada
  • Painel fechado sem exaustão em local quente
  • Frequência de chaveamento elevada demais
  • Inversor subdimensionado trabalhando no limite continuamente

É a falha mais previsível de todas — e a que mais aparece em janeiro e fevereiro.

Sobrecarga do motor (OL)

Diferente da sobrecorrente instantânea: aqui a corrente está acima do nominal por tempo prolongado. Indica carga mecânica maior do que o dimensionamento previa, motor subdimensionado, ou parâmetro de proteção térmica configurado errado.

Nunca "resolva" aumentando o limite de proteção. Esse parâmetro é o que protege o motor.

Falha à terra (GF)

Corrente de fuga para a terra. Isolação do motor comprometida, cabo danificado ou umidade no enrolamento. Motor parado por semanas em ambiente úmido acumula umidade — secar antes de energizar evita a queima.

Perda de fase (entrada ou saída)

Fusível aberto, contator com contato queimado ou cabo solto no terminal do motor. Verifique aperto de terminal: dilatação térmica afrouxa conexão ao longo do tempo, e conexão frouxa aquece e queima.

A rotina que evita a maioria

  • Limpeza de filtro e verificação de ventilador na preventiva
  • Reaperto de terminais de potência com torquímetro, anualmente
  • Registro do histórico de falhas — três resets do mesmo código em um mês não é coincidência
  • Backup dos parâmetros do inversor. Sem ele, a troca de um equipamento queimado vira meio dia de reconfiguração por tentativa

A Platix faz diagnóstico de falha em acionamentos em Piracicaba e região — e entrega o parâmetro documentado, não só o inversor rodando.

CC

Carlos Alexandre Cotta Coelho

Engenheiro de automação industrial · CREA ativo · 15 anos de campo

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