Medição de nível: radar, ultrassônico ou pressão hidrostática
Espuma, poeira, vapor e agitação derrubam tecnologia de nível. O produto no tanque decide a escolha — não o catálogo.
Medição de nível é onde mais se erra especificação em instrumentação. O instrumento funciona na bancada, funciona no comissionamento com o tanque limpo, e começa a mentir quando o processo entra em regime.
Pressão hidrostática
Mede a coluna de líquido pela pressão no fundo. É barato, robusto e não se importa com espuma, vapor ou agitação da superfície.
O ponto cego é a densidade: a leitura depende dela. Se o produto muda de temperatura, de concentração ou de composição, o nível indicado muda sem que o nível real tenha mudado. Em tanque fechado e pressurizado, exige transmissor diferencial com tomada de referência no topo.
Use quando: líquido de densidade estável, tanque aberto ou com compensação de pressão, presença de espuma ou vapor.
Ultrassônico
Emite pulso sonoro e mede o tempo de retorno. Sem contato com o produto, custo moderado, instalação simples.
Sofre com tudo que atrapalha som no ar: espuma absorve o pulso, poeira dispersa, vapor altera a velocidade do som, e temperatura variável desloca a leitura. Precisa de zona morta na parte superior — não mede os primeiros centímetros abaixo do sensor.
Use quando: tanque aberto, produto sem espuma, atmosfera limpa e estável.
Radar
Emite micro-ondas. Diferente do ultrassônico, a onda eletromagnética não depende do ar: poeira, vapor e temperatura praticamente não afetam a medição.
O radar guiado por haste ou cabo resolve os casos difíceis — produtos com constante dielétrica baixa, tanques estreitos, agitação forte. O radar sem contato é a escolha para produto agressivo ou aplicação sanitária, onde nada pode entrar no tanque.
Custa mais. Entrega o resultado mais confiável na maioria das aplicações difíceis.
Use quando: poeira, vapor, agitação, temperatura variável, produto agressivo, ou quando o erro de medição custa mais que a diferença de preço do instrumento.
O checklist antes de comprar
- Qual o produto e a variação de densidade dele
- Tem espuma? Quanta, e em que fase do processo
- Tem agitador? A superfície fica plana em algum momento?
- Tanque aberto ou pressurizado
- Faixa de temperatura real do processo
- Há obstruções internas — serpentina, chicana, escada
- Precisa de medição contínua ou só de pontos de chaveamento
Essa última pergunta economiza dinheiro com frequência: muita aplicação que "precisa de transmissor" precisa, na verdade, de duas chaves de nível — alto e baixo — a um décimo do custo.
O erro clássico
Especificar ultrassônico em tanque com espuma porque "ficou mais barato". O instrumento passa a ler o topo da espuma, o operador percebe que o número não bate, e a instrumentação inteira perde credibilidade — inclusive a que estava certa.
A Platix especifica e instala medição de nível em Piracicaba e região, começando pela pergunta que resolve: o que exatamente tem dentro desse tanque?
Carlos Alexandre Cotta Coelho
Engenheiro de automação industrial · CREA ativo · 15 anos de campo
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