Termopar ou PT100: qual sensor de temperatura usar em cada aplicação
A escolha errada custa precisão, cabo e manutenção. O critério não é preço — é faixa, exatidão e distância até o painel.
A pergunta chega quase sempre depois do problema: o forno está oscilando, o operador não confia no display e alguém sugere trocar o sensor. Antes de trocar, vale entender por que aquele sensor está ali.
A diferença que importa no chão de fábrica
O termopar gera tensão a partir da diferença de temperatura entre a junta quente e a junta fria. É simples, robusto, barato e trabalha em faixas que o PT100 nem sonha — um tipo K vai tranquilo até 1200 °C, um tipo S ultrapassa 1600 °C.
O PT100 é um resistor de platina que muda de resistência de forma quase linear. Entrega exatidão muito melhor — décimos de grau contra 1 a 2 °C do termopar — mas seu limite prático fica em torno de 600 °C e ele é mais sensível a vibração e choque mecânico.
O critério de escolha, em ordem
- Faixa de temperatura. Acima de 600 °C, é termopar. Não há discussão.
- Exatidão necessária. Se o processo precisa de ±0,5 °C, é PT100. Se ±2 °C resolve, o termopar entrega e sobra.
- Distância até o painel. Termopar exige cabo de compensação do mesmo tipo até o transmissor. Cabo comum no meio do caminho introduz erro que ninguém enxerga. PT100 a 3 ou 4 fios tolera distância muito melhor.
- Vibração e impacto. Prensa, moinho e britador destroem elemento de platina. Termopar aguenta mais.
- Custo de reposição. Termopar é consumível em muitas aplicações. PT100 dura, mas custa mais para repor.
Os erros que aparecem em campo
Cabo de compensação errado. É o campeão. Emenda de cabo comum em um trecho de dois metros pode gerar 5 a 8 °C de erro. O processo passa a trabalhar em torno de um número falso e ninguém desconfia do cabo.
PT100 a 2 fios em distância longa. A resistência do próprio cabo entra na conta. Em 30 metros, o erro chega a vários graus. Use 3 fios como mínimo, 4 fios quando exatidão importa.
Poço termométrico errado ou mal instalado. Sensor que não está imerso o suficiente no fluido lê a temperatura da parede, não do processo. O tempo de resposta também despenca — o controle fica lento e a malha oscila.
Junta fria sem compensação. Transmissor barato sem compensação adequada faz a leitura variar conforme a temperatura do painel. No verão o processo "muda" sem ninguém mexer em nada.
Como decidir sem errar
Antes de especificar, responda quatro perguntas: qual a faixa real de operação (não a nominal do equipamento), qual erro o processo tolera, quantos metros separam o sensor do painel e qual o ambiente mecânico. Com essas quatro respostas, a escolha se resolve sozinha.
Se o instrumento já está instalado e a leitura não fecha, o caminho é medir — comparar com padrão rastreável no ponto de operação, não à temperatura ambiente. Calibração de bancada em um sensor que trabalha a 400 °C não prova nada sobre o comportamento dele a 400 °C.
Precisa de ajuda para especificar ou verificar uma malha de temperatura? A Platix atende Piracicaba, Americana, Limeira, Rio Claro e região com calibração rastreável e relatório assinado.
Carlos Alexandre Cotta Coelho
Engenheiro de automação industrial · CREA ativo · 15 anos de campo
Atende pessoalmente em Piracicaba, Americana, Limeira, Rio Claro e região. Diagnóstico de causa raiz, adequação NR-12 e manutenção preventiva com relatório técnico assinado.
Está com esse problema na sua planta?
Descreva a máquina para o Carlos. Ele responde direto, sem central de atendimento.
Falar com Carlos